16 setembro 2011

Difícil de aguentar


A verdade é difícil de aguentar? O tempo está encarregue de munir a forma como se alcança a verdade. Afirmativamente, hoje sei que a verdade reside dentro de nós mesmos. A grande maleita dos tempos que correm é que se anda à procura dela em sítios completamente desacertados. Reside por dentro do próprio.

Mas depois lá vem outra confusão. A das pessoas. O que é o próprio? Quem é esse próprio que sou eu e que busco a minha própria verdade? E como posso descobrir o próprio se a verdade do próprio ainda não foi descoberta?

Inicia-se um pensar, que vejo ser rejeitado pelos diferentes próprios. Os consultórios dos psicólogos enchem-se para o próprio dizer mal, queixar-se, esvaziar-se do outro, da imagem desse outro e até mesmo do cansaço que o outro lhe provoca. A descoberta de que um consultório de um psicólogo não serve para ser conivente com um sem fim de queixas sobre os outros, como o filho mimado que procura a mãe ou até o pai, para fazer queixinhas do mundo e ter um miminho e aprovação do estado de queixa infinita, é sempre um momento de grande verdade. O próprio vai assim escolher ou ficar com o psicólogo que o ajuda na descoberta dessa tão oprimida verdade, ou então desistir no sentido de ir embora dali, rapidamente, este gajo deve ter a mania que sabe o que é o mundo, zangado com a frustração de não se aceitar como ele próprio – alguém que tem queixas, mas incapaz de ter escolhas.

A incapacidade surge quando não se quer ver a verdade do próprio. Surge por outras vias. Mas essa é a mais usual dos dias que correm. Estranhos. O próprio é muitas vezes o estranho dentro dele mesmo. Vem a confusão e o conflito interno e a frustração. E se não sai… a doença mental. Às vezes, parece-me ter colegas de profissão que têm um medo terrível em utilizar a expressão.  Procuremos dicionários de Língua Portuguesa. Digo eu que ainda estou em negação do Novo Acordo Ortográfico. É que a doença é também um mal. E está mal não estar em verdade, está mal negá-la, está mal.

Mas, eu até sei que às vezes é impossível lá chegar. Por mais que nos esfreguem a verdade na cara. Aí… bem-haja aos que não nos deixam cair. 

Ana

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