21 novembro 2011

(in) travessia do neo português reinventado e ainda velho



Só nos damos conta das escolhas erradas quando estas já estão consumadas. É o risco que se corre. No entanto, existem ponderações que tomam posse das nomeações que podemos levar a cabo. Nada é absoluto. Só me apraz dizer um ainda bem gigantesco. E assim a vida continuará sempre a causar-me espanto e vertigem.

O que é chato é a rapidez, que também provoca vertigens indelicadas, por sinal. A rapidez leva ao e de repente e já nem se sabe muito bem como separar a vertigem própria da vida (a qual agradeço aos deuses), da acritude que é de repente já não ter capacidade de tomar rédeas de coisas que também são indubitavelmente nossas. 

Remédios, sejam eles de pôr debaixo da língua ou de injectar via intra-venosa, têm de ser tomados. Ou barcos que se apanham. Relembra-me a visita àquele estranho e fenomenal, até imperioso, jardim, de alguém que já se foi e que partilhava o epíteto do meu nome. Suspeita-se que era Maçom. Desci um poço espiriforme e havia dois caminhos, sombrios, mas apenas de luminosidade. Segui pela esquerda e eis que me deparo com uma representação de um quase quase rio – o Letes, o do esquecimento. Não dava para trespassar. Pelo menos eu não o fiz. Porque não era possível. E de resto, o outro trilho dá para a continuação do enigmático jardim, cheio de mistérios encantadores. 

Histórias, estórias e historietas à parte, o Letes será impossível de transpor e agora repetindo-me ainda bem. Dá para libar então o vislumbre de que existe um local de esquecimento perfeito, que está tão longe que é inalcançável. Essa ideia hoje soa-me bem, sabe-me a mel, está num nevoeiro quente. Reconfortante. Ilusão ou não, não me importa, não me interessa minimamente. É demasiadamente violento carregar fardos que não se adquiriram em lado nenhum. Sim, há sítios, internos, que se delineiam como lado nenhum. Não me agrada, não condiz com a cor com que pintei o meu tugúrio. 

O acaso de respirar, fundo (prerrogativa pessoal e intransponível) permite, muitas vezes, rasgar o meu nome ao meio. Constatações! Que hei-de eu fazer. Existo e ponto final.

Ana

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