14 novembro 2011

palavras com atrelado


A musa transcende o intelecto. Devia proibir-me de bater caminho. Mas rendo-me à teimosia e volto. Impetrar. Pedir a projecção. Não, não consigo tirar de mim o velho acordo e sonho que vertem notas de 100 euros. Ficar a dever a alguém é injusto. É como o Amor e as imagens. 


(obrigada querida)
http://june-10.tumblr.com/


Amor e vamos! Ou será: amor e vamos? Há muitas formas. Até há o Amor? Vamos? Quanto maior o Amor, mais pontos de interrogação se põe.


Parece que o amor amarga, mesmo quando a proposta é amar de forma nunca antes vista, como quem está de atalaia no meio das espigas, aquelas por onde corria enquanto criança, escondendo-me de nada, inquietando coisa nenhuma, livre, satisfeita, plena de lhaneza. 


O amor, o indivisível. Quando se ama temos de ir. Há alguma coisa a trespassar. Aportar sem olhar para trás. Não vale fazer batota. Mais uma vez, eu ainda me vejo a correr no meio do milho, em que depois, no fim da trilha se debulhava a espiga. A seguir? Mergulhos em bagos dourados, num sol brando, que em conjunto garantiam a melhor massagem possível e imaginária. Anos a fio, perdi-me nesta brincadeira. Nesses dias, as bonecas deixavam de fazer sentido, a televisão era um quadrado sem piada nenhuma. E eu era invencível, só por que não concebia o infortúnio. E ainda bem.

O tempo não pára. E o sol decresce, entra-se num Inverno e lá puseram o Natal para que se acendam luzinhas de esperança do Verão outra vez, que fará crescer milho e uvas. Não chegam, não bastam. O sol é mais bonito. É autêntico. Embora se afaste e se ofusque de nuvens, existe perenemente. A culpa é das individualidades abespinhadas. Intolerantes. Por que ao ver o sol a ir-se, começam a sentir-se invernosos, não podem reconhecer as ausências. Não entendem a sensação de correr no meio de caminhos irrepreensíveis, que os homens e mulheres morenos traçavam para colocar as sementes das espigas, para que as crianças corressem por dentro e entre, escondidas de coisas de nada. O traçado não é feito quando o sol está forte. Isso, eu garanto. 


Se galgarmos para o Amor, sabemos bem que esse só se contraprova quando é difícil não pensar naquele ser, que odiamos profundamente, que nos lacerou a alma, que nos cegou, que dilacerou o coração, mas que sentimos uma saudade tremenda. A mesma que nos atira a procurar a mais pequena coisa que nos aproxime (nem que seja, na loja dos perfumes ir cheirar aquele frasquinho). Hum, cheirinho…


(…)


Está a ser bonito demais. Na vida dos comuns, que não sou eu, por que sim, por não querer, nem tampouco saber como se faz ou poder até escolher, as luzes de Natal, com que se enfeitam Invernos, são retiradas, mal enroladas e obviamente estragam-se. O indecomponível é falseado, atirando-o para baús que não se partilham com ninguém (só com própria sombra e a custo). O Amor, experimentado através do verbo Amar, cheio de luz, atrela um Go, que antes era um Vamos e agora fica por ser um rastilho. Juntem vocês por que eu não quero. Recuso-me.


Ana

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