14 abril 2012

da liberdade



A rapariga do vento não se lembrava das horas. 

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O relógio de parede há muito havia parado. Nem para a frente, nem para trás. Ele permanecia, inerte, fitando-a da parede. Sim, o relógio olhava-a. A ela, meia despida. Vestia apenas uma camisa longa e alva. Cobria-se de um felpudo azul. Apesar de tal averiguação, a rapariga do vento sorria ao relógio. Aquele que estacionou, a olhar para ela. Talvez a julgasse lá do alto da parede. Amarela? Claro! Talvez decretasse não poder dar-lhe as suas horas por ela ser dupla, naquilo que concebia, congelado na sua petrificação.

Ela, a rapariga do vento! Era duplamente culpada, de facto. Por ela e a sua capacidade de escolher sempre a liberdade, conjurando a consciência a uma garrafa de água benta, mal abençoada.

A liberdade é como o vento. Não é gémea da ausência de consciência. Essas duas medidas, tantas vezes se contrapõem. 

A dita rapariga olhava o olhar daquele relógio, que insistia em dizer 10.05h. Sabia que prisioneiro tinha diante dos pés – o da objecção por incapacidade de ser livre. Mas ela própria prisioneira estava – da consciência solta ao vento, algemada nuns braços nus.

Ana

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