09 abril 2012

novelos


Emaranhamentos. Quem não os tem?
pauart.deviantart.com

Há coisas que são como novelos. Ou melhor, como um novelo. Enleiam-se e enleiam-se. Fica-se lá por entre o fio, felpudo, colorido, quente. Ninguém depõe um bom novelo, sem que pelo menos o pense, o que leva a deleites, mais ou menos, idealizados. Na mente de cada um.

Seguidamente, surgem os sonhos. Uns sonham de forma tão clean, que aparecem os desenhos concretos dos desejos. Outros sonham com figuras complexas dos seus desejos. O importante é o desejo, aquilo que instiga o impulso mais básico. É premente estar atento. Pois há negações cálidas do movimento, que se podia prever de fronte o desejado.

Muitas vezes, a direcção muda, drástica e teatral, afoitando-se o delinear do fio enovelado. Enrola-se, logo fazem bolas. Coisas circulares. Mais uma vez, ora pense-se, quem não gosta de coisas circulares? Não conheço. Reinventa-se de que forma colorir um espaço claustro.

O que quero dizer com isto?
Pois bem, o barco desatracou e foi água abaixo. Mais uma vez tomei a dianteira e discuti com o comandante do navio, fazendo equipa. Não se impediu que água abaixo corresse. Tentamos. Podia falar do medo. É assustador ver barcos a ir por água abaixo. E estar lá, no barco. Não me parece fortuito.

Reinvente-se.
Ciganos, lenços coloridos a esvoaçar, animais imponentes, anões, música estridente, cartas de tarot, roda da sorte, mulheres pintadas, crianças a correr. O herético, mais uma vez. E volto lá, desafiando a cruz.

Ora.
Os novelos são bonitos. Bolas rolam, porém. Tudo isto para dizer que gostava imensamente de observar, de onde quer que me sente, o deliberar de cores dos mil e um novelos, de quem quer que seja, a que horas seja. O tempo é apenas um momento que se definiu. 

Ana

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