22 abril 2012

o olhar dos porquês


Nem esperei encher o estômago. Tudo se tornou numa questão de esvaziar – o peito, os traços da face, o olhar. Sai uma certeza para a minha mesa e o empregado vem rápido demais. Traz-me água translúcida, mais tarde poluída a ginger ale, dentro (o costume) de uma vasilha que, de resto, inchava, desinchava e pronto – mantinha-se colorida, sempre com aquela palete de cores.

Nem esperei levantar-me da cadeira, pois a disciplina é de rodopiar vezes sem conta. Há sempre histórias dentro das histórias. Dentro desta incapacidade de esticar as pernas, reside a fábula dos bichos-carpinteiros, que não dão ponto sem nó. Nem com dó. Dessa forma trapaceira fazem colar a parte plantar do pé, apoiada num par de sapatos digno da minha caminhada, girando compassadamente.

Nem esperei elevar o olhar. Sempre que o fiz, evadi-me das coisas certas. Dentro desta história, faço copiar/colar ao reverso da moeda, talvez de bronze. Os tons quentes que se perdem num desgaste de trocas fortuitas.

Para onde foi a espontaneidade? Perguntei eu a um grupo de estudantes universitários das coisas do comportamento, a meio da semana. Respondi e senti na pele. Talvez até na polpa. Baseio a resposta naquilo que me haviam dito. E que li, conservando na mente um fiapo de perguntas a fazerem cócegas psíquicas.

Sentada sem nada esperar, revoluteando num corre-corre de fuga ávida, após nutrir-me de um número imbecilizado de cubos de gelo, desabafei num suspiro o que o olhar dos porquês me assevera. Isso basta para muito, sem chegar para nada.




Sem nada, mas agora sim à espera: Para onde foi a espontaneidade? 


Ana

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