03 abril 2012

palavreado

- Eu disse que tu... custa-me tratar-te assim... tinhas dito que eu era uma... Não me lembro (risos) - escondendo a face, insistindo para que os seus olhos não se entregassem no olhar dela.

- O que é que eu disse afinal? - sorrindo acerca da importância das palavras, tema tão assente naquela mesa gasta. Na sua mente já nada resta de dúvida no que concerne a necessidade de articular os sentidos. Era como uma gota de água, insistente e pausada. Límpida.

- Disse-lhe que tu disseste que eu era do... Dominadora! - olhos escondidos, riso abafado pelo casaco preto. Braços compridos. Abraçam apenas a vergonha de não puder dominar quem, sem querer, a sentenciou. De novo!

- Ok. E ele? - sem dó nem piedade.

- Ele tacteia eu não ser impossível de dominar. E deseja-me. - cheia de lata.

- E tu? - dando a volta ao texto, por antecipação da sua fragilidade. Destapada.

- Eu jamais o deixaria. Dominar-me, entendes? - posfácios descarados -Mas mostro-lhe um pouco. Gosto que ele me diga tontices.

- Basicamente, estás nua. Só que ainda não sabes. Dá-te tempo. - diz a sapiência de quem já leu livros a mais.



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