03 maio 2012

carta ao M.

H,

se queres saber, nem há que perguntar. o caminho é sempre teu. a qualquer hora perdida num ponto cardeal distante. mais distância só se mede em km. tão mais perto estão os doces traços. viras a esquina e lá estarei. é como escrever o meu nome, incessantemente, em cima de qualquer pedra perfeita do vale do nevoeiro. se tivesse passado... se tivesse erigido o prepotente muro, não verias a que lê. aquela cujo nome se tornou impronunciável. o mesmo que sabes todos os dias. agarro uma caneta como quem afirma ser dona de si. dói saber-te magoado e incapaz de mim. poesia à parte, os teus olhos mantém a mesma pequenez familiar, que saudosamente sei. faço-te um sinal. fico incapaz de te responder directamente. desejo puder fazê-lo. por isso, ajuda-me. agarra-me por de dentro. sem pressa. quem vai com pressa não pode chegar. e é já ao virar da esquina. aí mesmo. uma conversa sobre nada, que dure um sem fim de tempo, isso basta. falarei do quanto tenho por dizer, num livro que não escrevo enquanto não ouvir o teu aval.
importa mais do que a humilde opinião da Agustina ou do José, até mesmo a do Luis. pinto a carvão da minha terra o quanto precisava da tua mão agora!

sempre tua
mil beijos

A.

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