26 junho 2012

circularidades




Quanto tempo faz desde que comeste, simultaneamente e pelo menos, três pastilhas elásticas, no mínimo? O processo é uma prazenteira folia, dentro da boca que, fechada, morde, enrosca e emudece a flexibilidade dos dentes e línguas. É um retorno maleável, impede gengivite por endurecimento das palavras. É um treino aprazível, ofertado por uma caixa desconhecida que foi atropelada em qualquer lado. 

Exige atenção:

- para não dentar a língua.
- para não haver lugar a entalar salivas.
- para não trincar os dentes.

Intima a mão aberta, a mesma que agarra o corrimão aquando o tropeço calha de aparecer, teimoso.

É um gesto concreto, compassado, como as horas, que não passam. Não deixa de repousar na jogatina circular, dança sufi dos dervixes rodopiantes, que não param. Estão presos àquilo, ritual magnífico, que torna mescladas partes opostas do corpo.




A proficiência das coisas está apenas no remate que se dá à indigência mais premente que impele a sair da casca.

Os seus motivos são o salvatério da afirmação constante daquilo que parece ser. Ou aquilo que pode ser.

E os círculos somente compram bilhete numa linha área que não faz sempre a mesma rota. Embora pareça. 


Ana


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