26 junho 2012

essas fadas


Ela também tem um vestido vermelho. E esse tal vestido vermelho roda da mesma forma. Talvez mais alto. Não será importante a altura de onde se atiram. Apenas se aponta o tempo que corre lado a lado, paulatinamente. Perdem-se os rodeados movimentos em torno de um centro não palpável, de forma totalitária, que é como quem diz com as mãos. Os olhos tocam-se ao de leve e no franzir-a-face existe aquela humanidade imensa. Reconheceu-a de imediato, lugar que apelida de a sua casa, abraçando a singularidade de uma fortuna que tem de nomear de pertença.



Sabe-lhe o riso de cor e salteado. Foi ideia sua. Conhece-a do interior dos fios do cabelo longo e feliz. Tem as marcas ali todas e assina o punho firme de uma invencibilidade estonteante, que lhe permite ser mais penetrante e tenaz do que seria de esperar. O riso é até não puder mais. E os suspiros são do mais verdadeiro. Está, portanto, tudo numa consonância aprimorada ao linde – joga-se nos dados do vai-e-vem, da miúda que passa, não pára mas fica sempre. Muitas vezes, sem que ninguém saiba que trouxe consigo mais do que um souvenir. A permanência é o tempo que trás nas mãos. E ela sabe colher flores. Como sabe lançar-se à arena perigosa, ofegante peito aberto e nariz no ar – só para fazer mira.

O que ela não sabe é que a aula é bilateral. Os lápis são semelhantes e estão sempre afiados na perfeição. As mãos divergem nas suas orlas, contendo, por acidente, o ónus de vestir sorrisos. Magias à parte, afirma-se que é tudo mais difícil do que parece.

Os dias que escorrem ombros fora, são engodos da perfeição. Diz-lhe, então em surdina, para que não cesse, insiste, insiste. Não podes parar. 


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