15 junho 2012

regras e pouco mais


Levanto-me do divã, num solevar de costas para a frente que parece pugnar com portentos escusos por subordinados à alcatifa. Nuns bruscos e incontidos passos, que se dão na direcção oposta ao que se devia, atiro-me à poltrona e daqui não saio, daqui ninguém me tira.  Flectir as pernas provoca quem me olha, mas apenas fito uma linha em recta, segmentada nas vicissitudes celulares. Essas esmeraldas preciosas de jocosas nada têm, que se lhes possa aludir ou sublinhar. São regras que os sucedimentos desacertados me lançam para as garras, ainda agarrada à arca. Impossível é delimitar quem possui quem – a arca aferrolhada ao pé direito ou o braço esquerdo abraçando a arca, desditosa. 




Aponho o cabelo, torto, atrás da orelha, joelhos flectidos, cotovelos perfeitamente dobrados e seguro a cabeça. Pesar de frutas e, com muita pena minha, existe aos meus pés uma incapacidade de me deitar, livre e estulta. A liberdade não serve de muito. No entanto, prisões não me assistem a alma. Não ouço nada, num indeferir permanente de mim mesma. É categoricamente pessoal e intransmissível. Mas dá-me tosse, ríspida, fria mas em linha recta. 

As regras são benditas aos nacos, em golfadas de ar, que se me dá. Sinto-me sumptuosa e desmedida, curvada a olhar em linha recta. Não se admite contemplar as moscas, que voluteiam em trampa. Isso sim é lugar-comum. Não o escolho jamais. Nem para mim, nem para quem me olha. E mais de que me olhar, me escreve paulatinamente e ao estampido, ainda que certeiro, sem saber. 

Não saber não aparece nas regras. Não fui eu que as inventei. E não gosto de começar frases com não. Mas está na lista das regras. Que não fiz, não escolhi. Atiraram-mas para o colo, agarrei-as com as mãos. Não sei que lhes fazer.

Ana

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