02 agosto 2012

exercício no. 1

era sempre a mesma coisa. perguntava-se, recorrentemente, se os outros sabiam que a cidade tem musicalidade própria. atirava-se, com exímia destreza auditiva, àquilo de escutar o que a cidade dizia.

ouve o ruído inconforme dos pneus rolando no alcatrão, desgastando os ouvidos dos que tentam dormir. adivinha, repetente, as metas dos outros, só por ter em cima da mesa o conhecimento manifesto de que já não há grave preocupação nas jornadas. só há pressas.

assiste a discussões, quase ininterruptas. gaivotas, o metro (escondido) ao longe, o vento na rua de baixo, a caçada felina da gata que hoje não quer brincar (por ter fome), o cão sozinho e desolado preso à corrente imposta por uma besta qualquer que o alimenta.

ausenta-se. envolve-se. passeia-se por ali, misturando os gritos dos animais com os rolamentos humanos. mais vida se patenteia escondida nas ervas secas e pousada em cima dos velhos telhados, do que no barulho que certifica a humanidade dos dias que correm. só não se sabe para onde.


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