10 agosto 2012

o agosto é de todos

- já há uvas no mês de Agosto? - pergunta a dos óculos à da blusa às bolas.
- não sei. mas lembraste daquele 25 de Agosto que o tio Zeca fez aquelas sardinhas? - retorque, sibilante, pausada, como quem tira uvas de um cacho.
- lembro. foi nesse ano que o tio Zeca tirou aquela fotografia ao Fernando. - e lembra mesmo.

(...)

continuam e falam do Zé Manel e da Lurdes, de coisas parvas. Comem umas torradas apesar do calor abafado. Chamam-se à atenção e contam mil uma historias. Conjecturam sobre a vida e ralham as asneiras dos outros. Qual tribunal! Afinal a Maria já havia sentenciado a Marília e o Adolfo, que levaram o dinheiro de não sei quem.

testemunhas à parte, lá se foi o Agosto e as sardinhas, concluindo ambas que todos os acima falados são umas bestas e que deus devia intervir rapidamente, protegendo-as.

quem fica de atalaia já só pede cachos de uvas, daquelas bem gordas, porque o Agosto é curto e o verão não chega para dourar a pele o ano todo.

as conversas dos outros ficam na prateleira, bem como as Amélias suspirantes e os Eduardos que deitam fogo à própria casa.

é tempo de deitar os ouvidos na toalha de praia e a caneta atrás da orelha, já que os dedos são para fazer castelos na areia.

Sem comentários:

Enviar um comentário