19 agosto 2012

"propaganda war"


Havia um cofre de pedra-pomes. Estava ali pousado à porta. Fazendo jus à sua grandiosa curiosidade, a mesma dos gatos, abriu aquilo. A curiosidade dos gatos é abismal, mas o perigo decorre da abstracção divertida que incorre dessa curiosidade – os gatos precisam de ver as coisas por entre as suas unhas feitas garras, com o olhar mais estrídulo. Imprevidentes movimentos propositados, sem ser falseados, o diabo a soprar ao ouvido, iniciados com a mão esquerda, que segurava aquilo, agarrando-a com as garras de fora, abre aquilo, com a direita. Vê e sabe. Entende tudo e sabe o que é. Tudo se afigura quebradiço, repetitivo, circular - é o circo dos horrores, teatro grego, ensaios boémicos,  festa de aristocratas. A circularidade é um tampo que as pessoas põem debaixo dos pés. Repete-se. Sabe-se que aquilo tudo repetido é um perigo familiar. Descrê e medita, delimita e define, conclui tratados. Vive-se assim e só assim se livre, seja lá isso o que for. Sente-se que isso de livre é quando tudo é delicado por dentro da caixa torácica e no fundo da barriga. Lá no fundo. A autonomia é falácia e abrir os braços para trás enlouquece. Talvez para o lado equilibre para a frente. 

A culpa é do trajecto decretado, mapas e aquilo que se quer. Só tem a ver com aquilo que se quer. Desejos com forma de cubo de gelo. O diabo só assiste. E deus assina por baixo.


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