17 novembro 2012

agora já não podes

sentir fome. não querer comer. ter a certeza de que se está com fome. escolher não comer.

deixar por preencher.

já se sabe o sabor de tudo. não se aporta desejos cor-de-rosa que sejam passíveis de satisfação, já se provou tudo. paletes de cores e texturas.

escolhe-se não repetir nada. afinal de contas, comer é seguido de digestão. e tudo se esvai em merda. tudo tem o mesmo fim.

desaparecer. não te tornar a ver. não te cravar um cigarro. não sentir a tua mão.

tenho saudades tuas. choro tantas vezes por ter saudades tuas.

estivemos lá. já nada importava. só a nossa sede. a mesma que se nega numa estupidez qualquer que proferimos para nos pudermos rir.

não ouço o teu riso. no entanto, é meu.

"pareces ela."

e és minha. mais do que eu fui tua porque nunca te fiz um chá na minha cafeteira. só te cravei cigarros, as mãos e suguei-te palavras.

comemos camarões. sandes com maionese. até isso te pedi.

tenho saudades tuas.

do teu cabelo. da peruca. das tuas unhas e do teu fio. todas temos um fio. não ponho o meu há tanto tempo.

precisava muito de falar contigo. porra, não podes. já não te roubo o tempo. ele é que te roubou de mim.

não te guardo. só por um motivo.

"parecias ela, agora... a rir-te!"

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