09 novembro 2012

desculpem mas eu gosto de honrar as minhas palavras



Ouço.
Leio por aí.
As palavras não são importantes.

Chavões, sustentáculos, postes da intrujice,essa que anda aí deliciada pelas ruas, sempre de vestidinho colorido. A vaca até cruza as pernas e fuma de boquilha. Seduz homens e mulheres. Conquista cães sem dono, macacos amestrados, leões de coleira e trela. Alicia cabras montanhesas, gatas tresmalhadas, galinhas emproadas. Não quer saber. Não interessa. Não tem escrúpulos. Tenho de dizer isto: é duma laia! (favor ler com entoação de como que vai dizer: é duma laia que nem as putas).

As palavras não são importantes por que as pessoas precisam de engodos, de castros e de frestas onde se meterem. Questiono-me sempre sobre esta coisa toda que é o embuste, o engano, a qualidade falseada das palavras. Questiono-me e oponho-me. Revolto-me, atiro-me ao chão, levanto-me de mãos esfoladas, cheia de negras nas pernas. Sinto-me alienada quando percebo que as palavras não são importantes. Sinto-me fora de mim, fora da pele, fora da casca. Sinto-me ferver. E piora, com o tempo piora. O tempo que não ajuda a sarar, só soma. 

É que eu sou palavras soltas no Tempo.

… e por tal, às vezes sinto-me um asno!

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