31 dezembro 2012

Feliz Tempo Novo

O Tempo é um fio deslaçado, cheio de nós apertados, uns nos outros, caídos, como se existissem para escorrer por ele fora. O Tempo tem voltas e volumes. Tem listas, lados, versões, dietas. Tem tudo e não tem nada. É ambíguo, fugidio, colorido, imundo. É como ir a todo o lado, agarrar com ambas as mãos e deixar cair aos pés. Para trás!

Para trás não já nada.

O Tempo não é de ninguém. É impossível e intransigente. Engana sem dó-ré-mi e de piedoso apenas tem o tic-tac. Tem a agenda preenchida e tem pelo menos duas mulheres - uma meiga, outra seca. As maleitas são distribuídas pelas duas. Ambas lêem. Ambas choram. Ambas riem e o Tempo é igual. Sempre igual, tem uma agenda preenchida.

Afinal, era só isso.

Deixa para trás uma música. E não é a que se dança, ouve ou abraça. Despede-se escondido, sem um adeus, sem palavras, sem conteúdos. Por lhe doerem as mãos. E os pés. O Tempo toma a opção e não fala. Muda de cena e segue em frente. Para trás nada há. Só aquela harmonia. Errada e dissimulada.

Salvem-se os que ainda têm máquinas de calcular.





Sem comentários:

Enviar um comentário