19 fevereiro 2014

cavalo de corrida

Quero que o cansaço morra
Que se extinga a correr
Pois devagar é um lugar falaz
Que não é

Como os olhos que já não se fita
Por motivos de alheamento 
Parecia um movimento
Lento, lento

Sem querer respirar fundo
Por ser compasso de aceitação 
Resta um silêncio absurdo
Que de lento tem apenas a impressão 

De jeito trôpego 
Sem que se possa viver
Impossibilidade de ser
Muda a métrica

Inventem-se montes de letras
Articuladas naquilo que se quiser
Resta um discurso qualquer
Num ápice, erigido. 

Quem denota, nota
Põe-se à escuta
Por querer saber
Por sentir

Mas a métrica que se alterna
O silêncio mostra isso
Os ouvidos são os mesmos
As telhas que cobrem também

Mas e dentro?
Estilhas enormes cravadas
Em mãos que com tanto jeito
As guardaram com doçura

Resta este cansaço
Atingido por cambaleios
Pois nem Aquiles resistiu
Ao veneno daquela seta

Já não vou.

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