20 fevereiro 2018

volume único

Não consigo. Não dá para andar para trás. Não nisto. 

Soa quase a piada cósmica. 

Houve tempos em que não queria estar em mais lado nenhum. Era tudo desmensurado e, mesmo assim, cabia-me bem nas mãos. 

Insisto em dizer, como noutros momentos disse, que tenho as mãos pequenas e magras. Os meus dedos não se encostam totalmente uns aos outros de tão adelgados serem. Teria dado uma distinta pianista. Fiquei-me por ser uma notável promessa. Embora nunca tenha estudado ballet, arranho bem o francês. 

Estes e mais motivos servem para dizer que tenho jeito para quase tudo. 

Quando olho para trás vejo algumas desistências lógicas, perfeitamente justificadas na minha conceção, na minha narrativa e que são coerentes. 

Não isto. 

Isto não devia ter levado tanto tempo. E eu não devia ter segurado com tanta força, nestas mãos que gritam fragilidade anatómica. Segurei, amimei, tratei, suportei e, ate não poder mais, larguei. Tudo isso me faz saber que hoje, ao sentar-me para redigir os tópicos, não consigo voltar atrás. Concentrei-me em excesso nas mãos e no que transportavam. Fiz magia com elas, que desenharam letras e letras e carinhos e asseverações indeléveis. Não sei como fiz isto. É inaceitável olhar para trás e escrever tópicos deslaçados de um emaranhado de mim, de uma história que só teve um capítulo. 

Não passará de um tomo solto. 

look-out-sunshine - DeviantArt


Culpo-me as mãos. As minhas.

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